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Nathália Said/SZS Comunicação
A doença renal crônica já se impõe como um problema de saúde pública – e com um efeito colateral pouco lembrado: o impacto ambiental do tratamento. Quando o quadro progride e exige hemodiálise, cada sessão, geralmente, consome 120 litros de água tratada, o que corresponde a cerca de 240 litros de água potável antes de ser purificada.
Some-se a isso uma cadeia de insumos que chega, em grande parte, envolta em plástico e se transforma em resíduos sólidos. Daí a urgência de apostar em prevenção e diagnóstico precoce. Além de evitar que a doença avance para um tratamento mais intenso, essas medidas ajudam a reduzir a pegada ambiental associada ao cuidado. É essa a ideia do Dia Mundial do Rim neste ano: “Saúde renal para todos – cuidar de pessoas e proteger o planeta”.
Em 14 de março, em ação alusiva à campanha, a Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde (FCMS) da PUC-SP, em parceria com a Sociedade de Nefrologia do Estado de São Paulo (Sonesp), levou serviços gratuitos de saúde ao supermercado Tauste Campolim, em Sorocaba.
Orientações e exames rápidos para grupos de risco
Durante a iniciativa, equipes formadas por professores, estudantes do 2º ano de Medicina da FCMS e residentes de Clínica Médica e Nefrologia ofereceram orientações sobre como cuidar da saúde renal e realizaram aferição de pressão arterial, medição de frequência cardíaca, avaliação de peso e altura e exame rápido de creatinina (via punção digital) para grupos de risco.
O evento foi organizado pela professora-doutora Cibele Isaac Saad Rodrigues, coordenadora acadêmica do Hospital Santa Lucinda, e pelo professor-doutor Ricardo Augusto de Miranda Cadaval, chefe do Departamento de Clínica da FCMS.
Segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), cerca de 850 milhões de pessoas no mundo têm doença renal crônica. Além disso, em torno de 21 milhões de brasileiros convivem com algum grau da doença, mas muitos desconhecem esse diagnóstico.
Formação na prática
De acordo com Cadaval, a atividade funcionou como uma “sensibilização invertida”: foi a oportunidade de os alunos vivenciarem a realidade, indo além da sala de aula e do conteúdo dos livros. Ele destacou que a iniciativa ampliou a conscientização. “Devemos compreender que nós e o nosso planeta somos um único corpo vivo. Portanto, cuidar de nós é cuidar da Terra. Ao cuidarmos dela, estamos proporcionando mais saúde para nós.”
Resultados concretos
Nicolas Jordy Barbieri é residente do 4º ano de Nefrologia na PUC-SP, onde também se graduou, e participa há alguns anos de ações comunitárias como essa. Ele avaliou que a iniciativa beneficiou tanto os estudantes quanto a população, com resultados concretos. “São experiências muito positivas, porque a doença renal crônica, em geral, é identificada em estágios muito avançados em pacientes que não fizeram nenhum tipo de prevenção”, disse.
Ele acrescentou que ações como essa têm alcançado um público cada vez maior. Contudo, também ressaltou que a falta de informação ainda é o principal obstáculo, apesar de as doenças renais já atingirem cerca de 10% da população mundial.
Impacto do diagnóstico precoce
O aluno Rafael Xavier Gaspar, do 2º ano de Medicina, explicou: “Mesmo sendo uma iniciativa simples, queremos gerar um grande impacto. Pequenas atitudes podem fazer toda a diferença, como aferir a pressão regularmente e realizar exames básicos, como o de urina e o de creatinina. Isso contribui para o diagnóstico precoce, facilita o tratamento e ajuda a evitar a progressão da doença — prevenindo que o paciente chegue à diálise, um cenário muito mais dramático e intenso”. Ele pontuou: “Prevenção é, acima de tudo, o caminho”.
Diálise e sustentabilidade
A professora-doutora Cibele analisou o impacto ambiental da hemodiálise: “Em uma única sessão, habitualmente são utilizados cerca de 120 litros de água tratada. Durante um ano, um único paciente consome quase 18 mil litros de água purificada – e o dobro disso em água potável, que chega para ser tratada”. Ela acrescentou: “Há, também, grande consumo de energia, e boa parte dos materiais vem em embalagens plásticas. O processo de descarte gera muitos resíduos sólidos. Por isso, práticas sustentáveis são muito bem-vindas neste cenário”.
Ela ressaltou que “a prevenção é sempre muito melhor: cuidar da saúde renal ajuda a evitar que a doença evolua a ponto de exigir um tratamento tão complexo”. Conforme a especialista, é fundamental cuidar do planeta e buscar soluções mais sustentáveis, como o reaproveitamento da água de rejeito – que pode ser usada, por exemplo, para lavar pisos e dar descarga.
“Esse é o espírito da green nephrology: reduzir resíduos, repensar processos e unir saúde e sustentabilidade. No fim, a conscientização não deveria ficar restrita a uma data. Temas como saúde dos rins, saúde mental e HIV merecem atenção todos os dias”, concluiu.
Confira as fotos do evento: