Calouros na pandemia, médicos agora

por Redação / ACI PUC-SP | 12/05/2026

A primeira geração de estudantes de Medicina que ingressou na faculdade durante a pandemia de Covid-19 se formará no final deste ano. São jovens que começaram o curso entre aulas remotas, hospitais lotados, riscos de contaminação por um vírus desconhecido e incertezas sobre o futuro. Vitória Bernal é uma representante dessa turma.

Em entrevista, ela conta como a pandemia moldou sua formação e o tipo de médica que pretende ser.

Como foi receber a notícia da pandemia nos primeiros dias de curso?

Quando o curso começou, a pandemia já havia sido decretada. As primeiras aulas eram pelo computador e eu assistia de casa, sem nunca ter pisado na faculdade. Confesso que foi frustrante, pois a conquista de passar num curso tão concorrido merecia uma celebração que, simplesmente, não aconteceu da forma que eu havia imaginado.

Como foi lidar com a formação prática de forma remota?

Foi difícil, mas acho importante contextualizar. Aqui, na FCMS da PUC-SP, somente os primeiros seis meses de aula foram no modelo remoto. Os cinco anos e meio seguintes foram presenciais e compensaram amplamente esse período. Claro que houve lacunas iniciais, mas não acredito que isso nos tenha prejudicado de forma significativa a longo prazo.

Diante disso tudo, você chegou a pensar em desistir?

Não. Mas admito que havia dias em que era difícil sentir que aquilo era real, que eu estava mesmo na faculdade. O que me segurou foi a certeza da escolha e a consciência de que era temporário.

Como foi começar no isolamento?

Foi a parte mais frustrante. Só conheci a faculdade presencialmente no segundo semestre. Ver os corredores, os laboratórios, colocar rosto nos nomes que eu só conhecia por tela se tornou um momento marcante. Os vínculos demoraram para se formar, mas, talvez por isso mesmo, tenham sido mais sólidos.

Houve momentos em que aquele contexto se tornou mais desafiador?

A transição para o presencial foi desconfortável. Era uma sensação de chegar a um contexto que os outros já habitavam. Mas passou rápido. O hospital, o internato, o dia a dia clínico ocuparam esse espaço e deram sentido a tudo.

A pandemia mudou sua visão sobre a profissão?

Entrar na Medicina já sabendo que o sistema pode entrar em colapso cria um senso de responsabilidade mais maduro desde o início. Não idealizei a profissão de forma ingênua e acho que isso foi um ganho real, mesmo que tenha chegado de uma forma dura.

Como você avalia essa sua trajetória?

Com orgulho. Comecei sem conhecer a faculdade, sem conhecer os colegas, numa tela. Agora, aqui estou, me formando. Não foi a graduação que eu havia imaginado, mas os cinco anos e meio que se seguiram fizeram valer cada dificuldade do começo. A turma de 2020 tem uma resiliência que é difícil de explicar para quem não viveu.

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